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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
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ENTREVISTA - Gilvan Jablonski empolgado para correr na N4 |
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31/03/08 11:19 |
Confira a entrevista com o navegador Gilvan Jablonski, bi-campeão da Copa Peugeot e campeão do Brasileiro de Rally na categoria A6 em 2007 e que este ano correrá ao lado do piloto Édio Fuchter na categoria N4:
MundoRally - Como foi o primeiro contato com o Rally?
Gilvan Jablonski - O primeiro contato como navegador foi no ano de 2000, mês de agosto quando debutamos no Rally da Graciosa (Curitiba), fazendo dupla com meu dileto amigo Pedro Aleixo Siqueira; Todavia acompanho Rally desde 1980/1 quando em 1981 fui assistir a prévia para realização da prova do Mundial em Minas Gerais (mais exatamente em Wenceslau Bras / Delfim Moreira) na Serra da Mantiqueira. Naquela ocasião junto com Ari Vatanen e Gui Frequelin estavam Paulo Lemos, Ricardo Costa (Costinha) e outros tantos.
MundoRally - Qual prova que disputou é inesquecível?
Gilvan - Tenho quase certeza que tanto para mim como para o piloto (Rafael Tulio) foi a prova de Erechim em 2007. Naquela ocasião furamos 2 pneus sem apoio e largamos a especial "cristalina" com um dos traseiros furados (para rodar 22km). Antes disso havíamos dado um belo salto na especial "São Roque" (o que ocasionou tudo isso). Depois de 2 dias de prova terminamos o Rally na segunda colocação. Foi uma batalha hercúlea!
MundoRally - Qual gostaria de apagar da memória?
Gilvan - Sem a menor dúvida foi uma prova que participamos (Pedro Aleixo e eu) na cidade de Ponta Grossa, com um Gol bola da N2. Largamos para a primeira especial, e depois de 3 (tres) quilômetros capotamos em uma E3 com descida. Acabou ali o nosso Rally e tive o pescoço doído por 1 ou 2 meses.
MundoRally - Quais são objetivos para esta temporada?
Gilvan - Inicialmente estava decidido a parar, pois fomos impedidos de participar da Copa Peugeot pelo regulamento (sem críticas). Andar na N2 não estava nos meus planos. Por isso já tinha avisado o Pomerode por 2 ou 3 vezes que iria parar. Entretanto para minha surpresa, dias atrás recebi um convite irrecusável. Agora já não é mais segredo. Vou Navegar para o Édio Fuchter na N4 de Mitsubishi Evo IX. Por certo outro sonho que irei realizar!
MundoRally - Como foi navegar na dupla que sagrou-se campeã em duas competições de tanta relevância?
Gilvan - Com relação à temporada de 2007, sem dúvida foi inesquecível. Navegar para um piloto de talento como Túlio é sempre um enorme prazer. Ganhar a Copa Peugeot (bi-campeonato) de forma invicta não é para muitos. Entretanto o mais prazeroso sem dúvida foi conquistar o campeonato brasileiro da A6, campetindo contra gigantes! Lamento apenas a falta de reconhecimento da marca ganhadora para com a dupla, principalmente para com o Pomerode!
MundoRally - Faz torcida para alguma dupla na Copa Peugeot nesta temporada?
Gilvan - Fiz muitos amigos na Copa Peugeot. Espero que todos consigam seu objetivo. Todavia aqueles que se dedicarem mais, com maior afinco por certo terão melhores resultados (como em todos os esportes). Tomara que surjam nomes novos, jovens talentos, mas acredito que no final a disputa ficará entre Stedile / Jaime Rosler / Roberto Teodoro (prego). Eta gaúchada... Os mineiros, paulistas, paranaenses, meus conterrâneos que se apliquem!
MundoRally - Como está a preparação para a temporada?
Gilvan - Como disse antes, fui pego de surpresa. Dessa forma iremos começar efetivamente (Édio e eu) nos dias que antecedem a prova de abertura em Pomerode. Acredito que não haverá problemas. Se nos anos anteriores naveguei para um piloto talentoso, o que dizer então do "nonacampeão" brasileiro...
MundoRally - Como acha que a CBA poderá fiscalizar as duplas que não cumprem o regulamento no quesito reconhecimento das especiais?
Gilvan - Essa questão do reconhecimento/levantamento é muito delicada. Penso que da forma colocada para esse ano seja o melhor. Existe uma limitação de dias e horários. O número de passadas fica para que cada dupla decida. Se necessário passar mais vezes tudo bem. Se for uma SS já conhecida por exemplo, certamente duas passadas serão suficientes. A história de passar antecipadamente nos trechos talvez seja ainda mais delicada. Mas se as estradas estão abertas (como lógicamente devem estar) passa ali quem puder e tiver mais tempo. Fazer o quê. O que não concordo é treinar com o "auto" (conforme os gaúchos) de corrida. Finalmente, acho que fiscalizar é quase impossível. Façam idéia do custo que geraria e das confusões que isso acarretaria (provas ou indícios, denúncias, falatórios). Penso que tudo vai da consciência de cada um. Passar no local, todos podem passar (é o sagrado direito de ir e vir). O que não pode acontecer é passar acima dos limites de velocidade, expor os moradores a riscos, perturbar o sossego e o direito dos proprietários ao longo do percurso. Tudo isso sem dúvida é que acaba por denegrir a imagem do Rally, mas certamente acontece em todos os países onde se disputa Rally.
MundoRally - O que você achou da criação da categoria N2 Light?
Gilvan - Novas categorias dentro daquelas já existentes por certo darão novo ânimo aos participantes. Começar é muito complicado. Entretanto se voce tiver incentivos, até mesmo simples troféus para esses novatos, fazem um diferencial. Não podemos esquecer que nosso esporte por natureza está sempre longe dos grandes centros (exceto nos países como Itália/Alemanha e outros onde se passa literalmente dentro das pequenas cidades) . Por isso o investimento é muito questionado. Nesses nossos tempos a mídia é formadora de opinião, vende o que você não imagina e evidente que cria ou destrói o que quiser. Por certo investir em uma categoria que possa ser vista por meia hora ou uma hora inteira passando na tua frente em um aparelho de TV, propiciará o retorno esperado e desejado pelo anunciante (sponsor).
Dentro desse contexto é óbvio que novas categorias (talvez menos onerosas) possam dar uma alavancada no Rally. Vejo a N3 como uma delas. Fazer um auto A6 e que realmente ande, seja confiável e possa ganhar provas é muito custoso! Quem sabe dessa forma as montadoras se animem e passem a acreditar no Rally como uma fonte de testes, um campo vivo de provas para os automóveis que irão rodar no país e no exterior. Todos sabem que temos casos concretos desse laboratório.
MundoRally - Você tem planos futuros na modalidade?
Gilvan - Planos para o futuro acredito que por hora somente fazer uma temporada com muita dedicação. Espero corresponder em 2008 e quiçá, desse trabalho, abiscoitar a devida recompensa. Tenho comigo que para ser um bom navegador é preciso trabalho, dedicação (como já disse antes, em todos os esportes). Não poderia me furtar, de lembrar também que o "mestre" é por demais importante. Tive como professor o baluarte da navegação de Rally no Brasil que se chama Gilson Rocha. Tento sempre corresponder ao ensinamento que me foi legado e tenho absoluta certeza de que aqueles que desse grande amigo precisarem, estará ele sempre pronto para transmitir seus conhecimentos e sua experiência de mais de 25 anos de navegação.
MundoRally - Qual seu grande ídolo no rally nacional? E internacional?
Gilvan - Para finalizar, citar uma ou outra pessoa poderia soar como detrimento ou esquecimento de alguém. Aprecio e gosto daqueles que fazem suas tarefas bem feitas e que demonstram habilidade, destreza, arrojo e coragem. No âmbito internacional me impressionava a tocada do Ari Vataanen (finlândes é claro). Nomes como o do alemão Walter Rohrl , do espanhol Carlos Sainz e tantos outros serão sempre tidos como ídolos. Dos "brothers" tupiniquins é claro que o nome de Paulo Lemos me vem prioritariamente à mente, até por uma amizade antiga, da qual ainda desfrutamos. Seu talento é inegável. Foi um daqueles que guiou ( e muito bem, diga-se de passagem) junto com as feras em Portugal e na Argentina. É nome certo para uma "obra" escrita, tendo como tema o Rally Brasileiro.
Mas confesso que meu futuro piloto, Édio Fuchter, que tive o privilégio de assistir desde o início de sua carreira no meado dos anos 80, nas vicinais do Paraná nas disputas com o Lemos, me passava a certeza da tocada "mais limpa"do Rally, impressão que ainda perdura, notadamente pelo que vi nos últimos campeonatos em que estivemos muito próximos.
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